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Desde o momento em que alguém tem uma boa idéia, até aquele em que ela se torna um produto lucrativo, muitas etapas são percorridas. Como saber se um produto novo é bom e o que fazer para que ele chegue ao mercado com chances de fazer sucesso? É o que veremos neste artigo.

Muitos leitores têm boas idéias que, devidamente trabalhadas, podem se tornar produtos de sucesso no mercado de eletrônicos. No entanto, não basta que a idéia seja boa, para que o êxito esteja garantido. Da mente do idealizador do projeto, passando pela bancada de desenvolvimento e de testes, até a industrialização e comercialização, há muitos obstáculos a serem vencidos. Se o criador do projeto não estiver preparado para vencer esses obstáculos, as chances de que ele chegue ao mercado com possibilidades de sucesso é pequena.


Os especialistas, baseados na sua própria experiência e na dos outros, costumam escrever manuais em que as diversas etapas para o desenvolvimento de um projeto são colocadas. Ainda que aconteçam pequenas divergências em relação aos passos que devem ser dados, ou ainda quais são os mais importantes, em todos o que vemos é uma boa dose de bom senso que pode levar à criação de um manual próprio.

É justamente o que pretendemos levar neste artigo: pontos importantes que devem ser considerados no projeto de um novo produto para se garantir que ele tenha êxito. Adaptações desses pontos ou regras certamente podem ser feitas, tanto em função do produto e do mercado específico que ele deve atingir, quanto das próprias condições de desenvolvimento que o leitor vai ter disponíveis.

Tendo uma idéia!


Evidentemente, o primeiro passo a ser dado consiste em se ter uma idéia. Um novo produto que possa ser vendido com sucesso, quer seja o mercado visado pequeno, quer seja muito grande. Você tanto pode querer ficar rico quanto, numa concepção mais modesta, ter um produto que lhe possa garantir uma subsistência confortável. Seu mercado pode ser o mundo, o país inteiro ou de uma forma mais modesta, apenas atender à sua localidade. Nada impede também que você comece apenas na sua localidade e já tenha em mente uma futura expansão, quem sabe ilimitada!


Avaliando sua idéia

É claro que não basta ter uma idéia. É preciso saber avaliar se ela tem chances de se tornar um produto com potencial de comercialização. Para isso você deve responder às seguintes perguntas:

1.Tenho capacidade de desenvolver esse produto?

De nada adiante ter a idéia de um produto que você não seja capaz de desenvolver. Não basta ter uma idéia. É necessário estar certo de que pode montar o projeto. Eventualmente, se perceber que não conseguirá desenvolver o projeto sozinho, poderá precisar de ajuda e, neste caso, você deve saber com quem irá contar para isso. Veja que, se você perceber que a maior parte do desenvolvimento pode ser realizada sem muitos problemas e que apenas algumas etapas exigem a ajuda de alguém, isso já é um bom sinal. Para ter certeza disso, você já pode pensar na montagem de um protótipo. Lembre-se que um protótipo nem sempre será o produto final. Na maioria dos casos ele vai precisar de adaptações e aperfeiçoamentos até que se chegue à versão final.

2.A produção de seu produto em quantidade apresenta algum tipo de dificuldade?

As dificuldades de fabricação do produto, ou ainda eventuais custos elevados do material utilizado, podem consistir em um sério obstáculo ao êxito de um produto. Se você inventar um abridor eletrônico de latas cuja produção custa mais de R$ 1000,00, certamente não terá sucesso. Analise a relação custo de produção/benefício que ele traz ao cliente para ver se seu produto tem condições de ser vendido com sucesso.

E, quando falamos sucesso, significa tanto que ele possa lhe trazer lucro, quanto satisfação para quem compra. Esse item é especialmente importante se seu produto vai ser vendido em lojas onde a concorrência de produtos semelhantes exista. A possibilidade de se desenvolver produtos que não tenham concorrentes e que se destinem a um mercado específico pode exigir uma abordagem diferente desse problema.


3.Seu produto causa impacto no mercado?


Para vender alguma coisa nova ela precisa impressionar o cliente. Um produto que não cause admiração nos clientes em potencial não terá muita chance. Converse com amigos e pessoas que entendam de mercado para “sentir” se seu produto os impressiona.

4.E a honestidade, como fica?


Nesse ponto, a imaginação não deve ser limitar apenas à criação do produto, mas também à maneira como ele pode ser apresentado aos clientes. Logicamente, nesse caso é preciso tomar muito cuidado com eventuais exageros, com o uso de inverdades (o que vemos em muitos produtos alternativos que se aproveitam da credibilidade dos clientes), ou ainda com a adoção de características que realmente eles não têm.

Um exemplo interessante pode ser dado por um produto (que não vamos declinar o nome) cujo fabricante, para convencer os clientes de que ele teria propriedades que realmente não possui, pediu um laudo técnico ao IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). A análise dizia simplesmente que o produto “não tinha determinado efeito, como apregoado, sendo totalmente inócua sua ação”. Pois bem, na propaganda a empresa fabricante do produto mostra o laudo do IPT e diz que ele “atesta que o uso do produto não traz problema algum” .

Uma pequena distorção que é aproveitada de forma indevida, e que, para quem dseja ganhar dinheiro honestamente, não se justifica. Um poduto que precisa utilizar desses recursos tem seus dias contados.

Criando o novo produto

Assim, não é suficiente ter uma idéia, conhecimento básico de como desenvolvê-la e recursos para isso. É preciso, antes de tudo, ser organizado. O desenvolvedor deve criar uma estratégia que começa com a criação de um “diário de bordo”, adotando a nomenclatura usada em muitos trabalhos científicos e de tecnologia. Abra uma pasta em seu computador com o nome do projeto, guardando nela tudo que for importante para o desenvolvimento de seu produto.


Coloque na pasta dos “ favoritos” de seu navegador na Internet todos os sites que contiverem informações pertinentes para o seu produto, além das relacionadas com seu aspecto técnico, inclusive as relacionadas com o possível mercado. Fornecedores de componentes, distribuidores, vendedores em potencial tudo mais que possa ajudá-lo futuramente.

No “diário de bordo” você vai anotar todas as etapas do desenvolvimento do projeto, da idéia inicial, com tudo que você fizer, desenhos de esquemas, idéias, experimentos, resultados dos experimentos, enfim tudo que possa ser consultado posteriormente quando desejar uma informação sobre o que foi feito em qualquer passo do projeto.

Não se esqueça de colocar datas em todas as anotações. Tome cuidado para que esse diário não venha a cair em mãos indesejáveis. Lembre-se, você pode ter tido uma idéia que vale milhões e, a partir desse momento, ela pode ser cobiçada.

O aspecto comercial


Durante as etapas de desenvolvimento do produto, o que envolve um trabalho técnico, você também deverá realizar um trabalho de pesquisa sobre o aspecto comercial. Esse trabalho começa com a determinação exata do que seu produto vai ser, e a que mercado ele se destinará. O “mercado-alvo” vai, inclusive, ajudá-lo a direcionar aspectos exteriores de seu produto, como as estratégias de apresentação, eventualmente o tipo de manual que ele deve dispor e até uma possível interface com o usuário.

Essa interface, em especial, exige muito cuidado, pois há muitos produtos bons que fracassam justamente por não terem uma interface amigável com quem vai usá-los. Um produto feio, que não seja simples de utilizar, ou ainda que não tenha os recursos de controle que dele se espera, estará fadado ao fracasso. Um despertador que produz sons desagradáveis, um rádio com um formato que o torne difícil de carregar, um eletrodoméstico que tenha “cara” de máquina industrial são exemplos de coisas que devem ser evitadas.


A definição exata do mercado de seu produto, e também seu aspecto, determinarão ainda os canais de distribuição que devem ser usados. Na verdade, desde o início, quando o produto é criado na sua imaginação, você já pode ter visado a forma que ele será vendido, como, por exemplo:

- Lojas
- Venda direta
- Internet
- Correio

Evidentemente, na sua estratégia podem ser utilizados mais de um desses meios.

Faça uma pesquisa de mercado

Embora existam empresas especializadas que realizam pesquisas de mercado, se você tem um produto e é “ pequeno”, uma pesquisa informal pode ser feita com base no bom senso e algum conhecimento de psicologia. Isso será facilitado se você trabalhou ou trabalha com vendas. Caso contrário, procure ajuda de um amigo que esteja familiarizado com o assunto.

Crie um protótipo para avaliação

Ninguém pode avaliar um produto corretamente se não tiver um protótipo que possa ser colocado nas mãos de usários em potencial. Eles é que irão determinar se seu produto tem ou não condições de entrar no mercado. Mais do que isso, são esses usuários que avaliarão o produto e lhe darão sugestões sobre eventuais melhorias ou alterações que devam ser feitas para que ele possa ser aceito. É interessante que o protótipo seja avaliado também por pessoas do ramo que, eventualmente, possam lhe dar sugestões técnicas sobre possíveis alterações.


Observe que esse protótipo pode, inclusive, ser muito importante para você atrair um investidor em potencial. Alguém que possa se associar entrando com o dinheiro necessário à sua industrialização, ou ainda uma empresa que venha a se interessar por seu produto, fabricando-o com o pagamento de direitos (royalties). Na verdade, nesse último caso, é preciso se proteger muito bem contra a eventual apropriação de suas idéias, para isso o produto deverá estar devidamente patenteado, além do que um contrato muito bem feito deverá ser assinado entre a empresa e o inventor. Neste ponto, empresas e advogados especializados devem ser consultados.

Hora da decisão

Conta-se que Alexandre Graham Bell, no dia em que levou sua invenção para o escritório de patentes, sentou-se ao lado de uma outra pessoa que ia patentear exatamente a mesma invenção. Foi por questão de minutos que ele conseguiu a primazia de ser o inventor do telefone! Assim, uma vez que você tenha uma idéia, não deve perder tempo. Um dia de diferença em relação ao momento em que se solicita uma patente, poderá ser fatal para uma idéia que o deixaria rico.

Lembre-se que, neste mesmo instante, alguém poderá estar tendo a mesma idéia e, com recursos melhores que os seus, poderá passar na sua frente. Portanto, elabore uma estratégia de trabalho e não perca tempo. Um dos pontos mais negativos no desenvolvimento de um projeto é a indecisão. O tempo que você demorar para decidir uma etapa de seu projeto poderá ser ganho pelo seu concorrente.

Quem pode ajudar

Se o leitor tem uma boa idéia de negócio e pretende lançar no mercado um produto, existem duas possibilidades: A primeira, é que o leitor já tem uma empresa e o produto será mais um de sua linha. Neste caso, o que o leitor precisará é de um apoio maior, se pretender entrar em um tipo de negócio que não lhe seja familiar. A segunda ocorre se o leitor não tem uma empresa e justamente pretende abrir uma com base em sua idéia. Neste caso, precisará de um apoio diferente, com indicações de como abrir e manter sua empresa.


No Brasil, temos diversas entidades que podem ajudá-lo, e muito, a abrir e manter seu negócio. Não basta ter uma idéia, é preciso saber como conduzí-la, principalmente se isso envolver uma empresa, que vai ser sua. A idéia pode ser boa, mas se não souber como conduzir seu negócio, ela poderá terminar em pouco tempo de forma bastante desagradável. Para assessorar os novos empreendedores, existem duas entidades que poderão ajudá-lo:

Sebrae


Trata-se do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Esse serviço existe desde 1972, tendo por finalidade trabalhar pelo desenvolvimento sustentável das empresas de pequeno porte. A entidade promove, então, cursos de capacitação, facilita o acesso a serviços financeiros, estimula a cooperação entre empresas, organiza feiras e rodadas de negócios, além de incentivar o desenvolvimento de atividades que possam gerar empregos e rendas.

O Sebrae atua no Brasil inteiro, contando com 600 pontos de atendimento em todos os estados. Visite o seu site na Internet para obter mais informações e ver como você pode ser ajudado a implantar seu negócio e industrializar seu novo produto.

Nesse site você também terá informações de como patentear sua idéia, protegendo-a de forma legal.

As Incubadoras de Empresas

A finalidade básica de uma incubadora é reduzir a taxa de mortalidade das pequenas empresas. Para essa finalidade elas oferecem um ambiente flexível e encorajador, onde são oferecidas uma série de facilidades para o surgimento e crescimento de novos empreendimentos a um custo bem menor do que no mercado, na medida em que esses custos são rateados e, às vezes, subsidiados.


Outra razão para a maior chance de sucesso de empresas instaladas em uma incubadora, é que o processo de seleção capta os melhores projetos e seleciona os empreendedores mais aptos, o que naturalmente amplia as possibilidades de sucesso dessas empresas.

Para obter mais informações, visite este site.

Um exemplo de Incubadora de empresas do tipo misto é o Cietec, que funciona no Campus da USP. Segundo própria indicação em seu site, a missão do Cietec é promover o desenvolvimento da ciência e da tecnologia nacional, incentivando a transformação do conhecimento em produtos e serviços inovadores e competitivos.

Para isso, o Cietec coloca-se na vanguarda de uma estratégia nacional de desenvolvimento, capaz de incentivar o empreendedorismo, melhorar a qualidade de vida e posicionar o país como um pólo criador e exportador de tecnologias inovadoras nas mais diversas áreas do conhecimento. O Cietec possibilita a ampliação do índice de sobrevivência e competitividade das pequenas e micro empresas, oferecendo a esses empreendimentos de base tecnológica a excelência de sua infra-estrutura e dos recursos humanos que dele participam.

Patentes

Para patentes, o leitor poderá, ainda, visitar o site do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).

No link "O que é, como proceder" o leitor terá informações de tudo o que é necessário para patentear uma idéia ou um produto.

Sucesso com sua nova idéia!