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Câmbio desfavorável, falta de engenheiros qualificados e de regulação legal não impedem tímido crescimento do setor.

Em comparação ao ano de 2006, a indústria eletroeletrônica cresceu 8% em 2007, atingindo um faturamento de R$ 112,4 bilhões. Esses e outros dados foram divulgados pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) durante balanço anual do setor, em dezembro.

De acordo com a Associação, com exceção da área de Utilidades Domésticas, que manteve o mesmo nível de 2006, os negócios de todas as outras áreas cresceram no período.
Contribuíram para este desempenho, os investimentos em infra-estrutura no país e a expansão do mercado interno, graças ao aumento de renda, do nível de emprego e das condições favoráveis de crédito, inclusive da taxa de juros.

O setor também sentiu os efeitos positivos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) com investimentos na construção civil e saneamento, na infra-estrutura de energia elétrica e nas ações para a disseminação da tecnologia da informação. Segundo a Abinee, o volume de negócios em 2007 foi significativamente elevado, porém com preços comprimidos em função do acirramento da concorrência internacional, agravada pela desvalorização do Dólar em relação ao Real que, na média, atingiu 10,5%.

O impacto do aumento da concorrência com produtos importados pôde ser verificado pelo crescimento de 20% das importações de produtos do setor, que passou de US$ 19,7 bilhões em 2006, para US$ 23,7 bilhões em 2007. No geral, as importações da China cresceram 35% e somaram US$ 6,4 bilhões, passando a representar 27% do total das importações de produtos do setor.

As importações de componentes cresceram em taxas menores (14%), sendo que os semicondutores apontaram incremento de 4% e os componentes passivos 3%, resultados significativamente abaixo dos seus principais mercados.

Até o final do ano, não era esperado significativo crescimento no faturamento da área de Componentes Elétricos e Eletrônicos por causa das condições pouco favoráveis para a produção destes insumos no país.


Desta forma, não se esperava mudança no quadro de redução do mercado interno, em função do aumento das importações de bens finais, e de partes e peças, e da continuidade do processo de redução de agregação de valor local dos bens finais. “Com a valorização do Real, os componentes importados passaram a ser mais atrativos”, disse o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

Para o diretor da área de Informática da Abinee, Hugo Valério, a questão dos componentes está ligada a oferta. “Se tivermos componentes competitivos aqui, não há porque as indústrias instaladas no Brasil não usarem. É preciso que os fabricantes de componentes invistam”, ressalta. Antonio Corrêa de Lacerda, diretor de Economia da Abinee, lembra que o país tem que criar situações favoráveis para o desenvolvimento dessas indústrias.

“Temos que ter fatores de competitividade ajustados, resolver questões como burocracia, câmbio e outros”, diz. Francisco Rosa, diretor da área de Componentes Elétricos e Eletrônicos, concorda e completa: “O momento não é positivo para investir aqui. A indústria nacional paga mais imposto por seus produtos do que os produtos
importados para entrarem no país”.

Otimista e confiante, o presidente da Abinee ressalta: “Ninguém me convence de que este país não possa ter uma indústria de componentes”.

Por outro lado, o número de empregados no setor chegou a 155 mil trabalhadores, sendo que cerca de 12 mil novos funcionários foram contratados. A utilização da capacidade produtiva atingiu 95%, representando um crescimento de 7% em relação a dezembro de 2006. A falta de engenheiros qualificados na área também foi colocada pela Abinee como um dos ‘gargalos’ do setor.

Para 2008, a expectativa da Abinee é de que o faturamento da indústria eletro-eletrônica atinja R$ 123 bilhões, com 9% de crescimento. “O crescimento do próximo ano pode vir da estagnação deste”, completa Barbato.

*Originalmente publicado na revista Saber Eletrônica - Ano 43 - Edição 420 - Janeiro/08