Um laboratório de manutenção ou integração de micros (ou uma sala de aula técnica) apresenta algumas particularidades que devem ser observadas quanto ao seu projeto e montagem. Detalhes sobre funcionalidade, mobilidade de pessoas e materiais, manutenção e segurança devem ser analisados e previstos para que não venham a atrapalhar ou limitar seu uso com o passar do tempo.
Ventilação natural ou com o uso de aparelhos de ar condicionado, tipo de distribuição elétrica (eletrodutos embutidos nas paredes, eletrocalhas, piso elevado etc), controle de cargas estáticas e aterramento, iluminação, necessidade do uso de estabilizadores e/ou nobreaks são itens que devem ser definidos inicialmente já que irão indicar a complexidade e o custo de um projeto, mas também sua funcionalidade e eficiência.
De um modo geral as instalações de laboratórios técnicos encontrados por aí são péssimas e feitas sem nenhum tipo de planejamento. Simplesmente juntam-se mesas, acrescentam-se réguas de tomadas e espalham-se os equipamentos pelas mesas.
Preocupações com aterramento e cargas estáticas, por exemplo, são inexistentes. A seguir iremos discutir vários aspectos que irão influenciar na praticidade, funcionalidade e segurança de um laboratório técnico.
Distribuição elétrica
Um aspecto essencial e geralmente ignorado é a distribuição elétrica dos laboratórios técnicos. Desde que exista uma tomada (110 V ou 220 V) funcionando tudo pode ser resolvido com o acréscimo de extensões e réguas de tomadas.
Nada mais errado que essa idéia. Além de ser completamente contra as normas técnicas, também representa um sério risco de segurança para as pessoas e equipamentos.
Vamos supor que na entrada de sua instalação você receba duas fases mais neutro. As duas fases serão ligadas ao resto da instalação através de dois disjuntores (ou fusíveis) e o neutro será distribuído diretamente.
O correto neste momento é distribuir os pontos de consumo da forma mais equilibrada possível entre as duas fases. Aqui começam os problemas.
Se a instalação for nova e voltada para a aplicação de laboratório técnico, o projeto deve prever o número necessário de tomadas e suas localizações, mas a situação mais comum consiste de aproveitar uma instalação já existente apenas acrescentando as tomadas necessárias.
Devido ao fato da instalação não prever um grande número de equipamentos elétricos ligados ao mesmo tempo as tomadas são poucas e com localizações desfavoráveis.
Com o aumento da carga começaremos a sobrecarregar uma fase em relação à outra. É comum encontrarmos instalações funcionando com 80% (ou mais!) da carga total em uma fase e o restante na outra.
Essa situação provoca efeitos perigosos para o funcionamento e para a segurança da instalação. Esses efeitos vão desde o transtorno causado pelo desligamento do disjuntor da fase sobrecarregada, passando pelas quedas de tensão causadas por perdas nos cabos da fiação e chegando à possibilidade de incêndios motivados por aquecimento excessivo da fiação.
Se nenhum desses argumentos é suficiente para chamar a atenção pense que você está “dissipando” seu dinheiro na conta de energia devido às perdas da instalação.
Vamos analisar agora um exemplo de como definir uma instalação voltada para a montagem de um laboratório de informática. É importante notar que qualquer projeto de instalação deve ser executado por um profissional qualificado. Nosso exemplo deve servir apenas como um guia.
Para esse exemplo iremos nos basear na sala representada na figura 1. Vamos considerar também 20 micros consumindo até 240 W cada como carga.
