Na imaginação de muitos projetistas digitais, seu trabalho se resume a lidar com bits e portas lógicas. Isso pode ser verdade até certo ponto, mas a partir daí nada mais se comporta da forma como seria esperado.
Quando as frequências começam a subir o suficiente, e vale lembrar que no início dos anos 90 muitos projetos de placas com os processadores (de última geração, da época) 486 tiveram que utilizar casamentos de impedância e terminações em trilhas de barramentos para que pudessem operar em frequências elevadas (20 a 30 MHz!) de forma confiável, os circuitos eletrônicos e as placas de circuito impresso passam a se comportar de maneira muito diferente do ideal.
Uma simples trilha de circuito impresso deixa de ser uma conexão entre dois pontos e passa a ser um filtro passa baixa de segunda ordem.
Isso faz com que as formas de onda digitais, quadradas ou retangulares, sejam distorcidas devido à eliminação de seus componentes harmônicos de tal modo que podem deixar de serem reconhecidas pelas portas lógicas, gerando erros, ou mesmo impedindo que o circuito funcione totalmente.
Outro aspecto que deve ser lembrado é o fato de que circuitos onde as impedâncias intrínsecas e seus casamentos são ignorados começarão a emitir energia eletromagnética, causando interferências na própria operação ou em equipamentos próximos. Emissão eletromagnética excessiva também irá impedir que o equipamento seja aprovado nos testes de compatibilidade eletromagnética (EMC), o que é fundamental e obrigatório na maior parte do mundo.
Todos esses aspectos irão influenciar na qualidade dos sinais e, em última análise, na qualidade do circuito em sua totalidade.