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07/02/2012 08:18:06

Diagnóstico e Reparação

Uma das finalidades desta Revista é fornecer aos leitores os conhecimentos básicos de eletrônica necessários para poder fazer reparos em equipamentos eletrônicos de todos os tipos. Embora muitos equipamentos sejam complexos a ponto de necessitarem de instrumentação e ajuda especializadas, existem muitos casos onde os problemas são simples e um conhecimento básico de seu princípio de funcionamento e, eventualmente, dos componentes que falham, possibilita a sua localização e consequentemente a reparação.

Newton C. Braga

Há, basicamente, dois tipos de problemas que podem ser resolvidos pelo profissional de reparação com algum conhecimento de eletrônica:


• Problemas simples com o próprio circuito eletrônico


• Problemas com a instalação do aparelho ou sua operação de modo indevido.


Vamos analisar alguns sintomas e causas de problemas que podem ocorrer com equipamentos eletrônicos comuns que estão diretamente ligados à rede de energia, ou pela sua alimentação que seja por estarem embutidos numa instalação. Evidentemente, como não podemos ver, sentir ou cheirar a eletricidade para fazer a análise de alguns dos problemas abordados, necessitaremos de alguns instrumentos.

Lembramos também que este artigo visa apenas ensinar ao leitor como dar os primeiros passos rumo a um entendimento mais profundo da eletrônica. Se o leitor se sentir seguro com o que viu aqui, será interessante procurar se aperfeiçoar, quer seja em cursos técnicos especializados ou adquirindo leitura. O nosso livro “Curso Básico de Eletrônica” é uma boa referência para se começar a estudar mais profundamente a eletrônica.


O primeiro passo

Se algum tipo de dispositivo eletrônico não funciona, qual deverá ser o primeiro passo a executar para descobrir a causa? Existe ainda nos meios técnicos (e não técnicos) o falso conceito de que, para cada sintoma, há um componente responsável, e ele deve ser localizado e trocado.

Isso não é válido para os complexos circuitos eletrônicos modernos, nos quais os componentes operam de modo interdependente em um equilíbrio bastante crítico onde, se um apresentar uma mudança de característica, ele refletirá isso em diversos outros (às vezes muito longe uns dos outros, no aparelho) os quais poderão queimar-se ou apresentar problemas de funcionamento.

É preciso saber como o circuito trabalha para que, em função de um sintoma, seja possível suspeitar de quais seriam os componentes que podem ser responsáveis pela anormalidade. Para o leitor que está começando agora, é muito cedo para pensar num processo de localização de problemas e reparação em equipamentos complexos. No entanto, ele pode aprender alguns procedimentos básicos que são de grande utilidade para localizar pequenos problemas ou de origem simples em alguns equipamentos de uso comum nas instalações elétricas, ou mesmo no automóvel.


Regras de segurança

Este é um dos itens mais importantes quando trabalhamos com qualquer tipo de circuito ou dispositivo que esteja ligado a uma rede de energia. É claro que estes procedimentos também são válidos para equipamentos alimentados por baterias, onde existam setores de alta tensão. A eletricidade pode matar e o leitor que trabalha com ela deve saber disso! Não é o fato de estarmos mexendo agora com eletrônica que fará a eletricidade mudar de temperamento! Os principais cuidados ao se trabalhar com eletricidade são os seguintes:


Nunca ligue um equipamento sem ter certeza de que pode fazer isso em segurança. Pense bem no que está fazendo, analisando a possibilidade de que ele pode estar em curto ou ter problemas mais graves.


Não toque em componentes ou partes que você não sabe para que servem. Isso poderá causar um dano maior ao aparelho, agravando o problema que ele eventualmente tenha.


Procure inicialmente por partes danificadas que possam ser visíveis como, por exemplo, componentes com sinais de escurecimento, fusíveis queimados, conexões soltas, etc. A inspeção visual é o ponto de partida para se descobrir problemas em qualquer equipamento.


Tenha cuidado ao manusear partes e ferramentas. Uma chave de fendas que caia num equipamento ligado poderá causar um curto-circuito com danos muito maiores do que aquele que se pretende corrigir.


A maioria dos equipamentos modernos opera com partes em módulos. Normalmente, identificando o módulo que tem o problema, basta fazer sua troca para que o equipamento volte a funcionar corretamente.


Não confie totalmente nos seus instrumentos. Às vezes, uma leitura confusa num multímetro pode levar o profissional a pensar em problemas que realmente não existem quando, na verdade, o problema está no modo como a leitura é realizada. Muitos multímetros “carregam” os circuitos que estão medindo, modificando as tensões e resistências lidas, o que leva as falsas interpretações por parte do profissional.


O multímetro é o mais útil de todos os instrumentos com que os profissionais de reparação podem contar, mas é preciso saber como usá-lo. Se você se interessa pela profissão procure aprender melhor como usar este instrumento (sugerimos o livro “Instrumentação – Multímetro” do mesmo autor).


Utilize sempre pequenos recipientes de plástico tais como embalagens de filmes fotográficos, bandejas de ovos e outros para guardar de forma organizada os parafusos e pequenas partes retiradas dos equipamentos em reparo. Use um caderno para anotar exatamente a posição de cada uma, pois em alguns casos poderá ser muito difícil lembrar onde elas se encaixam depois que o aparelho reparado tiver que ser fechado.


Não force nenhuma parte do equipamento ao desmontá-lo. Se for preciso fazer força é porque o movimento na direção correta não está sendo realizado ou existem mais parafusos para serem retirados. O movimento forçado leva normalmente à quebra de partes delicadas do equipamento, agravando os problemas.


Descarga Eletrostática (ESD) – Muitos componentes eletrônicos são sensíveis às cargas estáticas que podem se acumular no seu corpo. Nunca toque diretamente em seus terminais, pois isso pode causar sua queima. Um aterramento do seu corpo feito com pulseiras especiais deverá ser previsto quando você for trabalhar com estes componentes.


Sempre que possível consulte um esquema ou manual de fábrica para poder obter informações importantes sobre o circuito e o funcionamento dos principais componentes. Nos grandes centros há “esquematecas” que são empresas que vendem cópias de diagramas (esquemas) da maioria dos equipamentos eletrônicos nacionais (e mesmo alguns importados). Muitas delas atendem pelo telefone e internet, enviando pedidos de diagramas pelo correio.



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