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30/11/2007 10:48:36

Thomas Alva Edison

Um gênio se faz com um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de esforço?

Paulo Gomes

Thomas Edison (Arte de Paulo Gomes)

“Um gênio se faz com um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de esforço”. Com esta frase, Edison não apenas demonstrou sua comprovada modéstia como enfatizou a importância do trabalho dedicado para o desenvolvimento de grandes idéias. E foi um exemplo vivo disso: trabalhou arduamente por 73 dos seus 84 anos e registrou o significativo número de 1033 patentes.
Edison nasceu no dia 11 de março de 1847, em Milan, nos Estados Unidos numa família humilde. Quando tinha sete anos, sua família mudou-se para outra cidade, ao norte, Port Huron, onde começou a receber sua educação escolar. Entretanto, devido à sua intensa curiosidade a respeito de tudo, não se deu bem com o professor com o qual permaneceu apenas por três meses. A partir daí passou a ser instruído pela própria mãe, que também era professora, em sua própria casa.

Aos doze anos foi trabalhar como vendedor de jornais e doces em um trem. Seu chefe permitiu-lhe que utilizasse o vagão postal do trem, em suas horas vagas, como laboratório. Em 1861, Edison aproveitou a ocasião da Guerra Civil nos Estados Unidos e criou um jornal: o “Weekly Herald” (Arauto Semanal), no qual era gerente, redator, repórter, tipógrafo e distribuidor. Seus contatos com os telegrafistas das estações por onde o trem passava lhe garantiam informações “fresquinhas”.

Neste período, ocorreu um acidente que causaria sua surdez parcial. Ao realizar suas experiências em seu laboratório improvisado, ateou fogo no vagão em que se encontrava. Além de ser despejado, levou um tapa no ouvido.

Em 1862, aprendeu telegrafia com um chefe da estação e construiu dois aparelhos telegráficos. Por conta disso, conseguiu um emprego de telegrafista numa estação no período noturno, onde ficou até ser despedido, ao descobrirem que, nos momentos de menor movimento, Edison aproveitava para dormir (pois durante o dia, estudava e trabalhava em suas outras experiências). Fez isso graças a um aparelho, por ele inventado, que transmitia automaticamente um sinal que significava “tudo em ordem”.

Após passar por muitas dificuldades, conseguiu um emprego na Bolsa de Valores e, aos 21 anos, registrou sua primeira patente: uma máquina para votar pela qual ninguém se interessou.

No Natal de 1871 casou-se com Mary Stilwell, que trabalhava com perfuração de fitas telegráficas. Mary morreu doze anos mais tarde devido à febre tifóide. Casou-se mais uma vez, com Nina Miller, e teve três filhos em cada casamento.

Em 1876, conseguiu uma grande soma em dinheiro devido à venda de um “indicador automático de cotações da Bolsa de Valores”, com a qual consegue montar um grande centro de pesquisas em Menlo Park, com oficinas, laboratórios, técnicos e assistentes.

Em 1877 inventou um fonógrafo, aparelho capaz de gravar informações sonoras em um cilindro recoberto de cera que girava em torno de seu próprio eixo. Uma espécie de estilete fazia sulcos nesse cilindro, correspondentes às vibrações sonoras, o que permitia reproduzir esses sons posteriormente. Anos mais tarde patenteou uma versão mais aperfeiçoada que utilizava discos.

De todas as invenções de Edison, a que ficou mais famosa, sem dúvida alguma, foi a lâmpada elétrica. Foram necessárias mais de 1200 experiências até chegar num protótipo onde a corrente elétrica passava por um filamento muito fino de algodão carbonizado dentro de um bulbo de vidro sem ar e que ficou aceso por 40 horas seguidas. Nessa lâmpada, assim como nas que são feitas atualmente, a energia elétrica é transformada em energia térmica e esta, por sua vez, é transformada em energia luminosa. Nos anos seguintes, Edison aperfeiçoou ainda mais esta invenção utilizando, entre outros materiais, um filamento de bambu do Brasil.
Outra invenção famosa é o “cinetoscópio”, inventado em 1891, uma máquina capaz de tirar várias fotos sucessivas que, quando reveladas e projetadas, davam a ilusão de movimento. Esta idéia foi mais tarde desenvolvida pelos irmãos Lumière, inventores do cinema.

Em 1883, patenteou a chamada “válvula de Edison”. Tratava-se de uma lâmpada incandescente comum com uma placa metálica em seu interior, ao lado ou em volta do filamento, na qual descobriu que passava uma corrente elétrica entre o filamento e a placa metálica, fenômeno que ficou conhecido como “Efeito Edison”. Este invento foi o precursor das válvulas de rádio e que, por sua vez, foram precursoras dos transistores, invento para o qual Edison não deu tanta importância na época devido aos inúmeros outros trabalhos com os quais estava ocupado.

Edison morreu no dia 18 de outubro de 1931 aos 84 anos e muitas foram suas invenções (1033 patentes), o que torna impraticável enumerá-las aqui. Ao contrário dos muitos cientistas que se dedicaram a busca do puro conhecimento, Edison desejava obter aplicações imediatas de suas invenções. Este espírito certamente influenciou toda a cultura norte americana, tornando-a a maior potência industrial do século XX.

*Originalmente publicado na revista Mecatrônica Fácil - Ano 3 - Edição nº16

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