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Se você nunca ouviu falar na spintrônica, certamente vai percebê-la em seu dia-a-dia nos próximos tempos. A tecnologia está ganhando destaque por sua contribuição para a rapidez de leitura e também pela miniaturização dos discos rígidos dos computadores. Este, aliás, foi o motivo que levou o francês Albert Fert e o alemão Peter Grümberg a receber o Prêmio Nobel da Física este ano. O grande mérito dos cientistas foi a descoberta, em 1988, de um fenômeno chamado magneto-resistência gigante, no qual as informações são armazenadas no HD de forma magnética, ou seja, cada pequena região magnetizada define se o bit corresponde a 0 ou 1. A chamada spintrônica utiliza o spin (ou rotação) do elétron para controlar dispositivos e não mais sua carga, como é feito na eletrônica tradicional. Uma das possibilidades é ter uma corrente elétrica com todos os elétrons apontando para cima ou para baixo e, com isso, ligar o desligar um equipamento. No disco rígido, esta característica traz maior rapidez na leitura das informações. "Essa é a chamada spintrônica em metais, que é baseada em materiais ferro-magnéticos e está avançada o suficiente a ponto de encontrarmos dispositivos no mercado como processadores. É um mercado bilionário", explica o professor e pesquisador do Instituto de Física da USP-São Carlos, José Carlos Egues. É possível, por exemplo, ter maior densidade de informações gravadas em um menor espaço e rapidez de leitura, o que garante a rápida miniaturização dos discos rígidos. "Você pode diminuir muito o disco porque a variação de magnetização é menor", explica a professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro,Tatiana Rappoport, também ganhadora do prêmio "Para Mulheres na Ciência" , com o projeto "Manipulação de spins e cargas: dos semicondutores magnéticos ao grafeno". Além da aplicação em metais surgiu, há menos de dez anos, a spintrônica em semicondutores, linha de pesquisa que ambos os entrevistados seguem. Os princípios são os mesmos, mas Egues explica que esta área de estudo é bastante promissora porque os materiais semicondutores são mais flexíveis que os metais. Entre as vantagens está, por exemplo, o controle do número de elétrons em um semicondutor e, inclusive, mudanças na massa de cada um deles. "Isso é importante porque quando você projeta um dispositivo, na verdade o que você quer é controlar o spin, controlar a carga, ou seja, ser capaz de manipular o elétron", esclarece o pesquisador. Todas estas operações ocorrem na escala de alguns ângstrons, ou seja, cerca de um décimo de nanômetro.
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