O tão esperado leilão da terceira geração de celulares (3G) ou banda larga móvel no Brasil foi realizado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) em dezembro de 2007. As faixas de freqüência que vão permitir maior velocidade na transmissão de dados e o acesso à internet banda larga pelo telefone celular foram distribuídas entre oito grupos empresariais: Vivo, TIM, Claro, Oi, Brasil Telecom, Nextel, CTBC e Telemig. No total, foram leiloados 36 lotes de quatro bandas de freqüência em onze regiões do país e arrecadados R$ 5,34 bilhões.
Agora, o Brasil entra numa nova era da telefonia celular. O objetivo não é apenas elevar o nível da tecnologia móvel disponível, mas fazer também com que ela atinja uma população que até então não tinha celular - o que corresponde a aproximadamente 17,3 milhões de habitantes ou cerca de 1.836 municípios (dos 5.564 existentes).
Por isso, entre as novidades do leilão da 3G estava a ligação das áreas de elevado interesse com áreas menos atrativas. As operadoras que compraram lotes em cada uma das áreas licitadas terão que cobrir todos os municípios com menos de 30 mil habitantes da área em que adquiriram espectro. Com isso, o território nacional foi dividido em 11 regiões e as operadoras terão que atender estes municípios em até dois anos.
As perspectivas são bastante positivas. A Anatel espera que entre 2008 e 2009 as operadoras do sistema invistam cerca de R$ 4 bilhões na área em melhorias na planta e mais R$ 6 bilhões em licenças e compromissos de abrangência.
Inicialmente, o padrão predominante no Brasil será o UMTS (WCDMA/HSDPA) ou Universal Mobile Telecommunications System, que é tido como uma evolução para operadoras de GSM que utilizam como interface de rádio o Wideband CDMA (WCDMA) e suas evoluções.
Características como maior velocidade de conexão à Internet, vão permitir que os celulares tenham a mesma agilidade dos computadores conectados à banda larga, e as operadoras poderão oferecer novos serviços como: videoshare e videoconferência, TV no celular, música, jogos 3D multiplayer e serviços de localização.
Quanto aos aparelhos, eles devem estar preparados para receber as vantagens da nova tecnologia. Até o final de 2007, a Anatel já havia homologado 11 telefones celulares para 3G de empresas como Huawei, LG, Nokia, Samsumg, SIMM, Sony Ericsson e ZTE, além de 21 modelos de terminais dedicados.
Chips - Entre os fornecedores de chips para a Terceira Geração, a Qualcomm anunciou durante o Mobile World Congress - evento realizado recentemente em Barcelona - que, nos próximos quatro meses, deve iniciar a comercialização do chip Gobi (Global Mobile Internet), que será compatível com as duas tecnologias CDMA 2000 (EVDO) e WCDMA para 3G. A empresa também anunciou que algumas linhas de notebooks da HP já contarão com o novo chip.
A STMicroelectronics nos informou que oferece soluções direcionadas a terminais (celulares), principalmente na parte de gerenciamento de energia e RF, e modems, dentro da nova tecno logia. A empresa, que não nos revelou seus clientes, diz apenas que estes chips são desenvolvidos em parceria com os principais fornecedores de celulares do mercado. A expectativa da ST é de que o Brasil alcance o mesmo sucesso obtido na Europa, onde mais de 40% de celulares vendidos possuem tecnologia 3G.
Já a Texas Instruments ressaltou que fornece chips e componentes para aplicações 3G para todo o mundo, inclusive o Brasil. Um dos clientes da empresa no país é a Nokia, que forneceu cerca de 350 mil aparelhos 3G (padrão UMTS/WCDMA) para o mercado somente no segundo e terceiro trimestres de 2007. “Alguns dos nossos chips, como os processadores OMAP, são utilizados em outros aparelhos, além dos celulares, como em dispositivos para Internet móvel e Media Players Portáteis”, diz o diretor geral da TI no Brasil, Antonio Motta.
Quando às expectativas para o Brasil, Motta cita que pesquisas realizadas pela Strategy Analytics, mostram que mais de 100 milhões de telefones 3G devem ser vendidos na Europa Ocidental em 2008, e 145 milhões em 2010. Por outro lado, apenas cerca de 0,5 milhão devem ser vendidos no Brasil em 2008, e mais de 7 milhões até 2010.
*Artigo originalmente publicado na revista SABER Eletrônica - Ano 44 - Número 422- Março de 2008